Habilidade #1 – Atenção e Concentração

Estamos apresentando aqui 15 habilidades essenciais que as crianças precisam desenvolver, e como nós podemos trabalhar isso a partir de uma única história.

Começaremos então com a primeira:

HABILIDADE DE ATENÇÃO E CONCENTRAÇÃO

Atenção é uma habilidade de chamamos de cognitiva, ou seja, que dizem respeito ao processo de conhecer, pensar e processar informações. 

Em suma, atenção é a habilidade de escolher para onde nos direcionamos de modo “desperto”. Não se trata apenas de direcionar seus olhos, mas de estar plenamente consciente do que está vendo, ouvindo ou sentindo, uma vez que é possível olhar para algo sem de fato se dar conta do que está vendo. É de onde vem a famosa expressão: “você precisa prestar atenção”.

Existem diversos tipos de atenção e não falaremos sobre todos eles aqui (no curso Autodidatismo trabalhamos de modo mais específico sobre cada um), mas conversaremos sobre a concentração, que nada mais é do que a habilidade de sustentar sua atenção em algo específico por um período.

Muitas pessoas reclamam da dificuldade de concentração, mas poucas se dão conta de que atenção é uma habilidade que pode e precisa ser aprendida.

Creio não ser necessário falar aqui sobre a importância dessa habilidade e por que a consideramos como essencial, uma vez que todos percebem em seu próprio dia a dia a grande necessidade – e a falta que sentimos da capacidade de nos concentrar em algo.

Então, como trabalhar essa habilidade?

Existem diversas atividades que treinam a habilidade de concentração, mas como nesse projeto nós queremos trabalhar a partir de uma única história, vamos começar com a atividade mais simples: a leitura em voz alta.

Prestar atenção em algo não é fácil se você nunca foi treinado nessa habilidade (ou se você foi destreinado, que é o que acontece com muitos adultos). Então o que nós fazemos? Nós assumimos uma parte do trabalho para ajudar a criança a manter sua atenção. Digamos que o esforço necessário para manter a atenção em algo seja de nível 10. Então nós começamos assumindo o trabalho até o nível 6 ou 7 para que a criança precise, a princípio, apenas de um esforço de nível 3 ou 4 para conseguir obter o resultado.

Por isso, quando lemos em voz alta uma história, nós trabalhamos com vozes, caretas e gestos. Porque tudo isso torna a história mais viva e permite que a criança preste atenção no que está ouvindo e imaginando. (Se ainda não conhece, veja em nosso curso Leitura em Voz Alta como você pode fazer esse tipo de leitura). Com o tempo, ela será capaz de prestar atenção por períodos cada vez mais longos e dependendo cada vez menos no apoio que oferecemos por meio da leitura.

Lembrando que esse trabalho de leitura em voz alta também permite que você organize o esforço na medida do que a criança precisa. Por exemplo, se a história tem uma linguagem em nível um pouco mais elevado, nós trabalhamos mais “traduzindo” certas palavras durante a leitura, de modo que a criança consiga entender e permanecer prestando atenção na história.

O mesmo acontece com a leitura silenciosa feita pela própria pessoa?

Sim. Se você começar a ler um livro, especialmente uma ficção ou narrativa que ofereça essa “sustentação” parcial, com o tempo sua habilidade de concentração será cada vez maior.

No entanto, essa leitura requer um esforço maior de nossa parte porque depende, em grande parte, da habilidade de fluência e da força de vontade. Falaremos, mais à frente, sobre como trabalhar essas habilidades. No caso da criança, como tanto a fluência como a capacidade de manter-se firme em um objetivo ainda são imaturas, ler sozinha pode ser um esforço para o qual ela ainda não está plenamente preparada, o que faz com que desanimem logo de início.

E os filmes e desenhos? Não produzem o mesmo resultado?

O problema é que os filmes e desenhos foram projetados para prender a atenção da pessoa, não para treinar sua atenção. Então eles trabalham com todos os recursos (como a velocidade de troca de imagens, por exemplo), em um nível que não requer qualquer esforço de quem assiste. É como se eles fizessem todo o trabalho em nível 9 ou 10.

O resultado é que, além de não oferecer um espaço para desenvolvimento da concentração, eles ainda prejudicam porque nos treinam para não precisar de qualquer esforço para obter o prazer da história. Em muitos casos, adultos que já foram capazes de ler por muito tempo, estão hoje “destreinados” com relação à leitura porque a exposição ao sistema das telas os acostumou ao prazer sem esforço.

Então aqui no Programa Valores e Virtudes a primeira coisa que fazemos é escolher boas histórias e optar por um texto que tenha sido preparado de modo que a leitura seja encantadora, estimule a imaginação e permita que a criança se interesse por saber o que virá.

No caso do Estudo das Virtudes, nosso material de introdução, a primeira história é a mais curta – Rei Alfredo e os bolos. Nossa ideia é começar com algo que não exija tanto, especialmente para aqueles que ainda não desenvolveram o hábito de permanecer atentos por longos períodos durante a leitura em voz alta.

Para começar então o projeto o primeiro passo é escolher uma boa história. O ideal é que não seja uma história muito infantilizada nem com muitas imagens, porque nesse caso estaremos diminuindo muito o trabalho de atenção e não será uma boa atividade para desenvolver essa habilidade.

Continuaremos, na sequência, com mais uma habilidade essencial – e como trabalhar a partir de uma única história.

Até lá!

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