Educando filhos para serem reis [Carta #7]

São José dos Campos, 29 de julho de 2021

Queridos amigos leitores,

Como estão vocês?

Aqui está tudo bem. Disseram que hoje chegaria uma onda de frio, pior de todos os tempos e todo esse drama, mas pelo menos por enquanto está tudo normal por aqui. Um solzinho tranquilo, céu azul e o barulho de sempre.

Pois bem. Não sei se vocês viram, mas essa semana voltamos, FINALMENTE, com o nosso querido podcast/programa “Conversas para um Café”. ☕ Desde aquele curso Vidas que Ensinam – Projeto Sonya Carson eu passei a gostar muito desse estilo de conversa em áudio assim. E sempre acho legal quando alguém me diz que fica ouvindo e respondendo como se estivesse conversando mesmo. rsrs

Bom, o fato é que agora nossas conversas terão um sabor a mais. Como colocar chantilly no café (mas sem canela, por favor): nossa pauta serão as histórias. Eu amo histórias desde sempre. Amo ler histórias, contar histórias, inventar histórias… Acho que só não me aventurei ainda a escrever histórias, exceto uma que não me empolgou muito.

E nesse trabalho de educar o caráter e cultivar as virtudes, desde o início eu me animei com a ideia de usar histórias porque juntaria duas coisas que amo – educação do caráter e histórias – com o fato de ser muito produtivo (porque as histórias nos ajudam a guardar muito mais em nosso coração o que aprendemos ali).

Bem, nessa semana nós conversamos sobre a história “Rei Alfredo e os bolos”, que muitos de vocês já conhecem porque é a primeira história do nosso material “Estudo das Virtudes”. No áudio desse primeiro episódio eu falei um pouco sobre como a história do Rei Alfredo me inspira nisso de não desistirmos da nossa tarefa, mas hoje, aqui na carta, quero falar sobre o quanto ela me ensina sobre a educação das crianças.

Lá no nosso canal do Telegram eu contei um pouco sobre a vida de Alfredo, o Grande, esse rei que viveu de verdade e foi responsável por grandes mudanças ali na Inglaterra. E conversando com meu esposo sobre como seria se todas as crianças fossem educadas como um rei era naquela época, sendo preparados para dedicar suas vidas a uma tarefa, não importa o quanto isso lhes custasse. Meu esposo então disse: “Nós deveríamos pensar em educar os filhos para serem reis – mas não o reizinho da casa”.

E eu pensei que é exatamente aí que temos um problema. Hoje existem até livros falando sobre o “reizinho da casa”, apontando para o problema de educarmos as crianças de modo que eles pensem que podem dar ordens e que a vida da família gira em torno das suas preferências e vontades. A criança cresce insegura, imatura, frágil e geralmente alguém com quem os outros têm dificuldade de conviver. E enquanto isso a família vive naquele clima tenso e o caos que se instala quando deixamos nosso posto de autoridade.

Ao contrário disso, quando pensamos em educar filhos para serem reis, precisamos nos lembrar que um rei de verdade não é alguém que simplesmente fica mandando nos demais. (Bom, já tivemos exemplos de reis bem temperamentais e voluntariosos na História, e já sabemos que isso é um desastre). O que pensamos aqui é no tipo de rei que sabia, desde cedo, que sua vida não lhe pertencia. Aqueles reis que entendiam que desde o seu nascimento já havia para eles um propósito bem definido e para o qual eles deveriam se preparar. (Como não lembrar daquele livro “Futuros homens: criando meninos para enfrentar gigantes”?).

Na verdade, muitos relutaram em aceitar isso. Mas aqueles que abraçaram sua missão sem pensar que estavam perdendo sua liberdade ou os prazeres da vida, deixaram marcas que até hoje podem ser vistas no mundo. Reis que iam à guerra e eram os primeiros a enfrentar os inimigos face a face. Reis que perdiam o sono tentando encontrar soluções para salvar seu povo da fome, das doenças e até mesmo, como no caso do Rei Alfredo, da ignorância e da desnutrição espiritual.

Nossas crianças não serão reis nesse sentido. Mas certamente Deus tem propósitos específicos para eles. Tarefas que exigirão força, coragem, e aquele senso de responsabilidade que, como vimos na história, faz com que um rei abatido encontre ânimo para reunir novamente seu exército e vencer uma guerra que parecia impossível.

É tentador querermos cercar nossas crianças de carinhos, cuidados e proteção. É tentador querermos agradá-los e vê-los felizes o tempo todo. Mas se queremos que nossas crianças façam diferença nesse mundo e sejam fortes para enfrentar os gigantes que a vida trará, precisamos respirar fundo e resistir a essa tentação. Precisamos prepará-los para uma vida em que nada chega pronto em nossas mãos se não nos esforçamos. Um mundo em que ninguém o tratará com respeito se você não souber ter uma postura que demonstra dignidade e honra. Um mundo em que não se conquista nada reclamando dos outros ou querendo que alguém resolva seus problemas.

Hoje eu imagino como seria ver uma geração de jovens se levantando corajosamente para enfrentar os problemas do mundo e viver para a glória de Deus. Jovens que, assim como Daniel e seus amigos, permanecerão de pé quando todos os olhos se ajoelham covardemente diante de uma estátua de um rei. Jovens que, assim como Davi, saem a guerra com o que têm em suas mãos confiando tão somente no que Deus faz quando nos dispomos a enfrentar aqueles que afrontam o Seu nome.

Que Deus nos ajude, amigos, a não desistir de nossa tarefa de educar crianças fortes e corajosas como os grandes reis que marcaram a História. E que eles cresçam como homens e mulheres que viverão não para si mesmos, mas para cumprir no mundo a sua vocação, para a glória de Deus.

Com carinho,

Katarine

P.S.: Vou deixar aqui os links de algumas coisas que citei na carta:

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