AFTERSCHOOLING: educação além da escola [Parte 1]

O que é afterschooling?

Há alguns anos o movimento em favor do homeschooling – educação domiciliar – tem ganhado força no Brasil, especialmente por defender que a família pode e deve assumir o papel principal na educação de seus filhos. Muitas famílias, no entanto, sabem que assumir a educação formal da criança em casa exige muito preparo e disponibilidade de tempo, o que nem sempre é possível. Neste contexto é que a prática do afterschooling tem sido apresentada como uma modalidade educativa viável para muitas famílias.

Mas por que é preciso falar sobre isso?

Houve um tempo, no Brasil, em que as pessoas olhavam para livros com mais de 300 páginas e diziam: “Deus me livre de um livro tão grande! No máximo leio gibi da Turma da Mônica.” E todos achavam isso muito engraçado. Afinal, ser brasileiro era sinônimo de ser festeiro, animado, e sem muita preocupação com tudo isso de conhecimento.

E seguíamos assim, entre os piores do mundo na capacidade de entender um texto ou produzir algo mais importante do que desfile de escolas de samba ou futebol…

Embora muitas pessoas ainda sintam dificuldade em ler qualquer texto com mais de 1.000 caracteres, há alguns anos um grupo de pessoas têm despertado. Nos sentimos como quem acorda de um sono confuso e se pergunta: “Quantas lacunas eu percebo na minha formação! Quanto eu deixei de crescer e desenvolver minha mente, minhas habilidades, meu espírito e meu coração! Quanto tempo eu perdi esperando que outros resolvessem minha vida e meus problemas!”

E entre esses que despertam estão muitos pais e mães que, ao olhar para seus filhos, percebem que era hora de uma mudança. Entendendo que não resolveria ficar reclamando do governo ou esperando que algum dia a educação fosse melhor, levantaram-se e começaram a trabalhar para oferecer aos seus filhos uma formação diferente. Pais e mães que querem, um dia, ver em seus filhos homens e mulheres fortes, inteligentes, felizes e bem preparados para cumprir sua vocação, mesmo vivendo em meio a um mundo caótico e sem Deus.

Os problemas, no entanto, começam assim que você toma essa decisão. Especialmente hoje, quando somos bombardeados por todos os lados com tantas informações. Por onde começar? Quando? Qual a melhor forma de ensinar meus filhos? Como posso ajudar meus filhos se nem eu mesmo sei o que eles devem estudar em cada etapa? E se eu estiver exigindo demais? E se perder a fase em que eles conseguem aprender?

Em resposta a perguntas como essas é que temos trabalhado aqui, buscando orientar aos pais que estão determinados a assumir o papel principal na educação de seus filhos, mas sentem-se perdidos e sobrecarregados ao pensar sobre o que fazer em meio a tantas informações. Nosso propósito é ajudar cada família a descobrir o perfil da SUA família, as habilidades de intelecto e caráter que o SEU filho precisa desenvolver hoje e focar nisso, livrando-se da pressão de tentar fazer tudo o que outros fazem – ou dizem que você deveria fazer – e ganhando mais tempo para viver, de forma tranquila, o que realmente importa.

Nesse caminho, que começamos oficialmente em 2016, encontramos muitas famílias que não praticam o homeschooling, mas ainda fazem questão de assumir o papel principal da educação dos seus filhos, mesmo que eles frequentem a escola. A esse formato de educação nós chamamos hoje de Afterschooling – ou depois da escola. Foi assim que meus pais me educaram e sou imensamente grata a eles por isso. E para ajudar aos pais que também querem fazer isso nós decidimos fazer aqui uma pequena série de textos explicando melhor como você pode adotar esse formato de educação de modo organizado para conduzir seus filhos para lugares mais altos.

1. O QUE É AFTERSCHOOLING?

Quem decide o que seus filhos vão aprender?

Neste tópico vamos conhecer um pouco melhor sobre essa modalidade de ensino que tem sido adotada por pais que não abrem mão de estar à frente do processo educativo de seus filhos, mesmo que eles frequentem a escola.

O termo after-school, do inglês, significa literalmente “depois da escola”, e começou a ser usado de modo mais específico no final da década de 1880, quando algumas organizações americanas passaram a criar programas de reforço escolar e atividades extracurriculares para complementar o que a escola não tinha condições de ensinar em horário normal, ou trabalhar as dificuldades específicas das crianças em seu desempenho acadêmico.

Na verdade programas assim começaram bem antes que o nome “afterschooling” se tornasse comum – especialmente por iniciativa de indivíduos e igrejas em diferentes países, que tinham como intenção ajudar as crianças em situação de risco ou que começavam a deixar o trabalho infantil e ter acesso à educação escolar.

Com o passar do tempo, no entanto, esses programas foram se tornando mais organizados, assumindo a característica de complementar a educação escolar, ou seja, trabalhar o que a escola não tinha condições de trabalhar em seu horário normal.

Hoje, diversos grupos defendem que o afterschooling domiciliar trata-se deste complemento, por parte dos pais, ao que a escola não oferece. Aqui, no entanto, nossa proposta é de algo diferente: defendemos que a escola é que deve ser um complemento à educação que os pais escolheram para seus filhos. Quando os pais assumem o papel principal, eles é quem determinam a educação que seus filhos receberão.

Antes de passar para o próximo tópico, reflita sobre este aspecto e compartilhe conosco nos comentários abaixo: como você vê, hoje, a situação da sua família?

1 – ESTOU À FRENTE – Temos um projeto de educação e formação de nossos filhos, e contamos com auxílio da escola, tutores, cursos ou materiais para complementar com o ensino que exige conhecimento especializado.
2 – ESTOU COMPLEMENTANDO – Nós complementamos a educação escolar, ensinando alguns outros assuntos que queremos que eles aprendam e que a escola não trabalha.
3 – ESTOU AJUDANDO – No momento nós temos apenas ajudado nas lições de casa e atividades que a escola propõe.

Katarine Jordão
Educar com Sapiência

FONTES DE CONSULTA:

HALPERN, Robert. A Different Kind of Child Development Institution: The History of After-School Programs for Low-Income Children. Teachers College Record Volume 104, Number 2, March 2002, pp. 178–211.

Você prefere ter filhos bons ou inteligentes?

Oi, gente!

Tempos atrás eu gravei um áudio sobre este assunto, mas acabei enviando só por email; não postei aqui. Hoje estava editando uma aula em que eu menciono essa questão da inteligência, e dei uma pausa no trabalho para compartilhar com vocês.

Se quiser ouvir, é só clicar no link abaixo:

O que faz uma criança gostar de ler? (Ou: o que fazer para que a criança se torne um leitor?)

De vez em quando alguém me pergunta sobre o que fazer para que as crianças gostem de ler. Para falar a verdade por muito tempo eu não soube dizer o que, exatamente, eu faço para que as crianças gostem de ler, porque sempre achei isso muito natural.

Mas para essa aula eu organizei um pouco as ideias para mostrar minha visão sobre esse assunto (que não é lá muito convencional) e os princípios que eu sigo quanto a essa questão de incentivo à leitura.

Essa é uma das aulas do Curso Ensinar a Estudar, mas estou deixando como vídeo aberto para quem tiver interesse, tá? Está lá no canal mas você pode ver aqui:

 

=)

Como estudamos as virtudes?

“Mamãe, a senhora lê mais um pouquinho do livro O vento nos salgueiros? Por favor, só mais um pouquinho!” (Súplica do Felipe, nosso mais novo participante do Valores e Virtudes, em um vídeo engraçado que me mandou a sua super dedicada mamãe Sara).

Essas reações das crianças me animam muitíssimo naqueles momentos em que a gente pensa “Mas será que é este o caminho? Será que isso tudo vale a pena?”.
Então, já que estou reanimada, queria explicar sobre uma questão.
Recentemente eu recebi uma pergunta sobre a forma como trabalhamos as virtudes nesse programa, se eram ensinadas todas de uma vez.
Sim. São dezesseis virtudes e elas se repetem ao longo de todos os livros e histórias. Permitam-me explicar o porquê.
Uma das diretrizes mais importantes desse programa é deixar que a história cumpra o seu papel. Vejam: as boas histórias já possuem em si o “poder” de falar ao nosso coração por meio daquilo que nós chamamos de imaginação moral.
Nossa ideia é não tornar a história um instrumento para ensinar virtudes ou reprovar os vícios, porque não queremos que as crianças associem a leitura com uma aula sobre isso ou aquilo, mas que aprendam a desfrutar da narrativa e “ouvir” o que ela tem a dizer. Se queremos despertar nas crianças o amor pela leitura, precisamos deixar seu caminho livre para que vejam, de fato, a história. (Que é o oposto do que fazemos na escola, quando tornamos a Literatura apenas mais uma disciplina a ser estudada, destrinchando os livros em questões de Gramática, estudo das escolas literárias e tantas análises morfológicas e sintáticas que as crianças e adolescentes não conseguem nem ver graça na própria história).
Então o que nós queremos é apenas ajudar as crianças a, como eu disse recentemente, “aprender a ler com o coração”. Isso quer dizer: que aprendam a perceber não só os encantos e aventuras vividos pelas personagens, mas também os tesouros que as histórias possuem e que podemos trazer para nossa própria vida.
É por isso fazemos o trabalho apenas por meio das conversas e perguntas para que elas percebam as virtudes e vícios surgindo da história e não o contrário. E é por isso que muitas vezes eles acabam percebendo questões que eu mesma não vi enquanto preparava a lição, nem os pais perceberam enquanto liam (e, sinceramente, quando isso acontece é quando eu fico mais feliz).
Agora, é claro que cada história tem uma ênfase maior em alguns vícios ou virtudes específicos. “O vento nos salgueiros” fala muito sobre amizade, serviço, bondade, humildade e outras virtudes mais voltadas aos relacionamentos.
Já “O jovem fazendeiro”, que nós vamos estudar em maio, é uma história que nos leva a pensar sobre a Fortaleza, o Trabalho, a Diligência… Aliás foi por isso que decidi colocar esse livro no Valores e Virtudes enquanto o lia no ano passado. Porque ao ler eu senti vergonha ao perceber quanto até as crianças trabalhavam arduamente naquele contexto, e percebi quanto eu mesma precisava aprender a reclamar menos e me esforçar mais.
***
Se você se cadastrou para receber mais informações lá na página, fica de olho no email porque, se Deus quiser, ainda hoje eu enviarei para todos sobre o próximo mês, tá? (Se ainda não se cadastrou e quer saber como funciona, é só entrar lá: Programa Valores e Virtudes.

A árvore das virtudes

Assim como aconteceu com a Escola Manacá, muitas ideias legais têm surgido nesta primeira edição online do Programa Valores e Virtudes e eu fico cada vez mais encantada.

Embora sejam muitas ideias, essa eu pedi autorização para compartilhar fora do grupo porque assim que vi comecei a pensar várias questões importantes.

Estamos trabalhando com 16 virtudes e logo no início eu fiz um vídeo comentando um pouco sobre cada uma e explicando que uma virtude não é algo com o qual você nasce, mas algo que se desenvolve, se cultiva. Para Aristóteles, enquanto a virtude intelectual cresce a partir do ensino, a virtude moral é adquirida como resultado do hábito.

Em seu livro “Ética a Nicômaco” ele explica a questão do hábito com uma citação de Eveno:

O hábito, meu caro, não é senão uma longa prática

Que acaba por se fazer natureza.

Claro, existem os bons e os maus hábitos. Por isso Aristóteles se refere às virtudes como aquelas adquiridas por meio dos hábitos que são “dignos de louvor”.

Pois bem… Logo que começamos o Estudo das Virtudes a Daniele Pereira associou uma das histórias com o plantio e trabalhou com seu filho sobre o cultivo das virtudes mostrando as plantinhas de sua pequena horta. Achei isso muito interessante.

E na semana passada recebi essa foto do trabalho feito pela Kátia Guará para ensinar aos seus filhos a questão de que as virtudes são como os frutos que nós colhemos após o cultivo.

IMG_20171124_114253_625

Fiquei encantada, claro, com a dedicação, mas mas ainda com a ideia da árvore, que era algo que eu não tinha pensado. E eu amo árvores! (Não foi por acaso a escolha do logo do blog, rs)

O que me veio à mente no mesmo momento foi que uma árvore pode dar frutos bons, frutos ruins, ou fruto nenhum. E isso depende, em grande parte, de diversos fatores como as condições do solo e do clima, e os devidos cuidados por parte dos cultivadores.

Então pensei naquele texto em que Davi compara a pessoa justa a uma árvore, dizendo:

Pois será como a árvore plantada junto ao ribeiro de águas

a qual dá o seu fruto na estação própria

e tudo quanto fizer, prosperará.

Sempre que recito essas palavras eu imagino uma árvore muito frondosa, cheia de folhas viçosas e frutos doces, plantada próximo a um rio de águas cristalinas.

Meu pensamento, então, ao pensar na árvore das virtudes, foi que é preciso que se preste atenção ao lugar onde estamos plantados – o que nossas raízes estão absorvendo, o que nos tem servido de alimento para a produção da seiva que resultará nos bons frutos.

Pensei na diferença que faz estar cercado por pessoas que também buscam uma vida sábia e plena – em contraposição a viver tentando desenvolver as virtudes quando todos à sua volta acham que isso é perda de tempo e o mais importante é se divertir e chafurdar-se na lama dos vícios.

Também pensei nas coisas com que alimentamos nossa mente todos os dias. Muitas pessoas pensam que não faz diferença o tipo de música que você ouve, os programas que assiste, os livros que lê. “É só para distração. Eu não misturo as coisas. Continuo com os meus princípios.” Eu não sei, mas acho muito difícil isso. Pensar que alguém pode passar horas e horas alimentando sua mente com programas que só alimentam a fofoca sobre a vida alheia, histórias que exaltam a rebeldia, o adultério e o sexo livre porque “o importante é ser feliz”, músicas que falam de vingança, despeito e desprezo pela dignidade do outro – lixo moral, em suma – e achar que nada disso vai afetar sua mente, seu coração e seus sentimentos? Certeza que essa pessoa terá tanta inclinação a se esforçar pelo cultivo das virtudes quanto aquela que lê, ouve e assiste histórias belas e que incentivam o abandono dos vícios e o amor pelas coisas certas?

E, finalmente, pensei naquelas águas buscadas pelas raízes da árvore. Porque ela pode estar em um lugar com clima ideal e solo fértil, mas como sobreviverá se não houver água?

Talvez alguns discordem, mas de minha parte estou certa de é possível encontrar diversos tipos de ribeiros, mas que existe um rio cujas águas podem não apenas saciar a sede, mas nutrir, fazer crescer, florescer e dar frutos – uma plenitude de vida que procede do próprio Deus.

Não duvido que seja possível buscar uma vida virtuosa mesmo sem crer Nele. Mas eu jamais abriria mão de estar plantada junto a essa corrente de águas a quem posso buscar!

 

Livros para Leitura em Voz Alta

De vez em quando alguém me pergunta sobre bons livros para as crianças. Na verdade eu não conheço muitos livros. Embora tenha lido bastante quando era criança e adolescente, apenas recentemente comecei a ler – e reler – com um olhar mais voltado para as questões que considero importantes.

Há quem considere que o importante é que a criança aprenda a amar os livros, não importa qual. De minha parte penso que o importante não é amar os livros, mas amar os bons livros e todo o tesouro que eles contêm.  Como tudo na vida, a sabedoria está em aprender a amar as coisas certas. Na segunda parte do ebook “Leitura em voz alta” eu expliquei  os critérios que eu uso para avaliar um livro (padrão de linguagem, conteúdo/ mensagem transmitida, ilustrações e beleza da história), porque creio que essa base permite que você vá além da lista de livros indicados.

Mas para quem gostaria de dicas mais diretas para a hora das compras*, vou falar aqui sobre alguns livros que eu considero muito bons para o momento da leitura em voz alta. Algumas indicações estão lá no ebook também. (Os que já temos material do Programa Valores e Virtudes, estão marcados, então é só seguir o link para ver mais).

Livros ilustrados

  • Você é Especial – Max Lucado: Ah, que história linda! Trabalhei muito com as crianças usando esse livro – que acabou me ensinando também. Nessa narrativa Max Lucado conta sobre o problema dos bonecos que viviam analisando uns aos outros e alguns deles descobrem como é libertador simplesmente viver para Aquele que o criou. Eu gosto do estilo do Max Lucado de não ficar “forçando” lições. Só a história já é o bastante para nos ensinar.
  • Nariz Verde – Max Lucado: No mesmo estilo do livro anterior, este apresenta a temática da necessidade de aceitação por um grupo, e como nossos amiguinhos de madeira viram-se tentados a fazer o que todos faziam até descobrir quem eles de fato eram. Mais uma história que ensina muito sem ficar “didatizando” os princípios.
  • O livro das virtudes para crianças: Para quem já conhece “O livro das virtudes”, de William Bennet, essa versão para crianças trouxe um tom especial. Cheio de ilustrações e textos mais voltados para a perspectiva infantil, a coletânea está dividida em seções conforme a virtude que você gostaria de ensinar.
  • Robin Hood e outras histórias de aventuras para crianças: No mesmo estilo, esta edição apresenta adaptação de quatro histórias clássicas, desta vez com homens como protagonistas: Robin Hood, As aventuras de Tom Sawyer, Robinson Crusoé e Vinte mil léguas submarinas. Igualmente, pela beleza das ilustrações, creio tratar-se de um livro interessante para as crianças pequenas.
  • O mágico de Oz e outras histórias encantadas para crianças: Embora prefira os textos integrais, gostei muito das ilustrações desta adaptação (as ilustrações de dentro, porque não gostei muito da capa). São quatro histórias clássicas que têm meninas como protagonistas (o que não quer dizer que sejam histórias só para meninas): O mágico de Oz, A princesinha, O jardim secreto e Heidi. Editado pela Quarto Publishing, é uma boa opção para os momentos de leitura para as crianças pequenas.
  • A última canção de Bilbo – J.R.R. Tolkien: Uma excelente forma de introduzir as crianças pequenas – ou não tão pequenas assim – ao mundo do pequeno Hobbit <3. Os belos versos, combinados às ilustrações cheias de detalhes e cores produzidas pela talentosa Pauline Baynes, encantam as crianças e são especialmente emocionantes para aqueles que já leram a história do Hobbit. No Brasil, é editado pela Martins Fontes.
  • Mr. Bliss ou Sr. Boaventura – J.R.R. Tolkien: Uma história contada por Tolkien a seus filhos ganhou uma versão muito especial por apresentar gravuras feitas pelo próprio autor. É uma história engraçada que as crianças pequenas gostam muito, e em alguns trechos mostra também o original em inglês, com a caligrafia do próprio Tolkien.
  • As aventuras de Pedro Coelho – Beatrix Potter: Sou apaixonada por esse livro! É daqueles que só de olhar eu já fico feliz. São quatro histórias diferentes: A história de Pedro Coelho, A história do coelhinho Benjamin, A história dos coelhinhos felpudos e A história do Sr. Raposão, todas ricamente ilustrados pela própria autora. Não é sem razão que os livros de Beatrix Potter tenham causado impacto sobre a imaginação e vida do autor das Crônicas de Nárnia, C.S. Lewis, que a cita em seu livro “Surpreendido pela alegria”. Minha edição é da Companhia das Letrinhas, creio que a única que temos atualmente no Brasil. Espero que em breve a coleção completa seja publicada.

LIVROS CLÁSSICOS (LEITURA EM CAPÍTULOS):

  • Um urso chamado Paddington – Michael Bond. Esse é outro sobre o qual eu ouvi falar bastante antes de ler. Um dos favoritos da literatura infantil inglesa, conta a história de um pequeno urso que chega em Londres e é deixado na Estação Paddington onde uma família o encontra. Eles dão a ele o nome da estação e começam as aventuras. É um livro bem infantil e as crianças pequenas gostam muito. Eu sei que temos, em português, também “Os segredos de Paddington”. Em inglês a série é enorme. Contei aqui trinta diferentes livros, embora não tenha certeza de quantos são no total.
  • Heidi: a menina dos Alpes – Johanna Spyri: A LINDA história de uma menina órfã de cinco anos que foi deixada para viver com seu avô, um senhor que todosconheciam como rancoroso e que vivia isolado em sua cabana nos Alpes. Uma narrativa leve, mas muito bonita, e que fala sobre gratidão, fé e a alegria dos relacionamentos entre amigos e família. As descrições dos lugares são arrebatadoras e capazes de levar qualquer um a se imaginar ali sentado apreciando a natureza na companhia da menina. A edição da Autêntica lançou agora o volume único, mas também é possível encontrar em dois volumes separados. O texto em ambos é o mesmo, com tradução de Karina Janini e algumas ilustrações em preto e branco de Jessie Willcox Smith. É uma graça. Crianças de quatro ou cinco anos já conseguem entender a história.
  • As aventuras de Pinóquio – Carlo Collodi: Para quem conheceu a história de Pinóquio por meio das adaptações ou filmes de animação, este livro é uma imensa surpresa. A história do autor italiano apresenta detalhes e situações bem diferentes das adaptações cinematográficas e impressiona pelos dilemas vividos pelo boneco de madeira em sua luta consigo mesmo ao longo de sua jornada para se tornar um menino. As crianças ficam impressionadas com o mau comportamento do Pinóquio e torcem muito para que ele aprenda e mude – o que realmente acontece no final da história. Sua leitura é muito fácil e atrativa para crianças a partir dos 3 ou 4 anos.
  • O mágico de Oz – L. Frank Baum: Embora no Brasil esta seja a história mais conhecida, “O mágico de Oz” foi apenas o primeiro de uma série de 12 livros que fizeram grande sucesso entre as crianças na época em que foram escritos, e assim continuam. Uma questão curiosa é que, apesar da explicação do autor no prefácio do livro, quanto à sua intenção de não escrever uma obra que tivesse ensino moral e fosse apenas divertida, este livro na verdade apresenta personagens com muitas virtudes como coragem, bondade, trabalho e humildade. A narrativa leve e dinâmica atrai a atenção e facilita a compreensão mesmo dos pequenos de três ou quatro anos. Minha edição é da Zahar, com tradução de Sergio Flaksman e ilustrações originais de W.W. Denslow.
  • O vento nos salgueiros – Kenneth Grahame: Um livro belíssimo que conta a história de quatro amigos: o Rato, o Toupeira, o Texugo e o Sapo. Cada um possui uma personalidade marcante e o enredo fala muito sobre amizade, preferências, vida no campo e vida na cidade. Tudo de forma muito suave e poética. A edição que eu tenho é com tradução de Ivan Angelo, publicado pela Editora Moderna, selo Salamandra. Por usar animais cativa a atenção das crianças pequenas, enquanto seu conteúdo fala muito ao coração dos adultos também. Infelizmente o livro está esgotado na edição brasileira, então só é possível encontrar em sebos (a versão disponível atualmente é uma adaptação e perde muito do texto original).
  • Clique aqui para ver a edição portuguesa
  • Coração – Edmondo de Amicis: Um dos livros mais bonitos que já li. Trata-se do diário de Enrico, um menino italiano que retrata os acontecimentos do dia a dia, especialmente com relação aos amigos de escola. As narrativas, porém, mostram tudo pela perspectiva dos mais nobres sentimentos que envolvem a vida humana, inspirando valores como coragem, honra, amor à pátria e respeito à dignidade humana. Pode ser bem entendido por crianças de 8 ou 9 anos. A tradução de Nilson Moulin, na publicação da Cosac Naify, é excelente. Infelizmente esta edição está esgotada. A Editora Autêntica lançou recentemente uma edição nova, com o título Cuore.
  • A princesa e o Goblin – George MacDonald: Um dos meus livros favoritos! Conta a história de Irene, uma princesa que vivia em uma casa afastada do reino, próximo à mina onde ela viverá grandes aventuras. É uma história que mostra como uma menina pode ser corajosa e ao mesmo tempo gentil e educada. Seu amigo Curdie também demonstra inteligência e bravura, além de outros valores que se destacam no transcorrer da história. George MacDonald influenciou outros autores como C. S. Lewis, Mark Twain e Lewis Carroll. Foi publicado pela Landy Editora, com tradução de Keila Litvak, mas sua edição está esgotada. Só pode ser encontrado em sebos e livrarias que trabalhem com livros usados.
  • O Hobbit – J.R.R. Tolkien: Embora o tamanho do livro impressione um pouco, este é também um ótimo livro para leitura em voz alta. Com um enredo cheio de aventuras e emoções, a história do Hobbit é também uma narrativa sobre coragem, amizade, honra e sacrifício, além da constante presença da Providência. Algumas passagens são muito marcantes e produzem impressões profundas no coração. No Brasil é editado pela Martins Fontes com tradução de Lenita Maria Rímoli Esteves. O livro pode ser melhor compreendido por crianças a partir dos sete ou oito anos.
  • Uma casa na floresta – Laura Ingalls Wilder: Já ouvi falar faz uns bons anos sobre essa autora, mas só esse ano fui ler. A escritora americana produziu a série de livros Little House, onde conta, sob a forma de história, os acontecimentos do dia a dia de sua família em meados do século XIX. Estas histórias deram origem a uma série de televisão que no Brasil é conhecida como “Os pioneiros”. Este é o primeiro dos livros e é realmente difícil não se encantar com os detalhes que mostram um estilo de vida tão rústico e ao mesmo tempo tão saudável e feliz. Atualmente encontramos apenas em bibliotecas e sebos no momento.
  • O jovem fazendeiro – Laura Ingalls Wilder: Embora “Uma casa na floresta” seja o mais comentado, esse foi, dentre os dois, o que eu mais gostei. O segundo livro da série conta a história da família do pequeno Almanzo, que quando adulto se tornaria o esposo de Laura Ingalls. Assim como o primeiro, narra com detalhes vívidos a rotina que eles viviam e como obtinham seu sustento das plantações e criações de animais. Impressionante perceber como o trabalho realmente fazia parte da vida, e também a disposição com que todos da família se envolviam nas atividades diárias da fazenda e da casa. No momento está esgotado, sendo encontrado apenas em bibliotecas e sebos.
  • Robinson Crusoé – Daniel Defoe: Meu amigo Leonardo Galdino indicou muito esse livro e eu não sei por que demorei tanto para começar! Um dos primeiros livros escritos sob a forma de romance – uma narrativa mais longa e complexa do que o conto –, a história do jovem marinheiro que viveu sozinho em uma ilha vai muito além de uma série de aventuras. Este é um livro com uma narrativa bastante introspectiva e as reflexões da personagem sobre seu comportamento, pensamentos e crenças são muito marcantes. Me impressiona que esta obra não esteja entre as leituras básicas do currículo escolar. Por ser um estilo um pouco mais denso, será melhor compreendida pelas crianças maiores, talvez já aos 11 ou 12 anos. Minha edição é da Penguin Companhia com tradução de Sergio Flaksman e apresenta notas de rodapé bastante esclarecedoras.
  • Os meninos da rua Paulo – Ferenc Molnár. Minha amiga Robs Moura me falou tanto desse livro que eu peguei emprestado para começar ler. Que maravilha!!! O autor é húngaro (nunca tinha lido um livro de um autor húngaro!). Minha amiga disse que lembrou muito desse livro quando leu o que escrevi no ebook “Leitura em voz alta” sobre livros que contam a história com beleza. E é mesmo. Uma infância antiga, que faz a gente amar e refletir sobre honra, amizade e lealdade, entre tantos dos valores que permanecem. A edição que eu li foi a da Cosac Naify, com tradução de Paulo Rónai, já esgotada. Mas a Companhia das Letras tem essa edição da imagem ao lado.

  • As Crônicas de Nárnia – C.S. Lewis – Estes acho que dispensam comentários (embora eu desconfie que o número de pessoas que têm o livro seja bem maior do que o de pessoas que de fato o leram). Algumas crônicas, especialmente O sobrinho do mago e O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, eu já li incontáveis vezes, especialmente por usar muito em sala de aula. E o fascinante é que eu nunca me canso, nunca acho que já li demais. Amo ver como crianças e adolescentes se envolvem com a história e sonham um dia poder visitar as terras de Nárnia!rs Enfim… Esses livros (esse da foto é o volume único, mas são sete diferentes livros) são um tesouro!

Livros que já vi outras pessoas recomendando muito:

Embora muitos outros sejam comentados, vou colocar aqui alguns livros que, embora não tenha lido ainda, são indicações que recebi de pessoas em cuja avaliação eu confio.

  • Livros do Roald Dahl. O Leonardo Galdino também já me falou muito sobre esses livros e eu estou com a impressão de que quando ler vou me perguntar por que demorei tanto. Para quem, como eu, não conhecia pelo nome, Roald Dahl é o autor das histórias que se transformaram em filmes célebres como:

Livros de Frances Burnett: Estes são também conhecidos clássicos da literatura mundial e que também já tiveram adaptações para o cinema e muito recomendados não só pela história envolvente, mas pela sensibilidade e princípios:

Livros de Michael Ende : Estes dois livros estavam na lista de leituras que o meu amigo William Campos da Cruz indicou para os meus alunos quando eles o entrevistaram. E dentre todos os indicados, estes foram os que mais me surpreenderam, porque ele falou com muito entusiasmo sobre ambos e eu não tinha sequer ouvido falar:

Outra indicação que fiz no ebook foi o blog “Regando a Imaginação”, da Teresa Magacho. Ela era ainda menina quando começou a resenhar os livros que lia, de forma que hoje é possível encontrar mais de cento e cinquenta livros (em sua maior parte, clássicos) e conhecer melhor antes de se aventurar na leitura.

Bom, não coloquei aqui as indicações de coletâneas nem de poemas, mas acho que já dá para se inspirar bastante…rs

Se vocês conhecem outros imperdíveis, podem indicar aqui nos comentários que eu vou atrás.

Boas leituras!!! =)

* Nota de transparência: os links acima contém nossos códigos de afiliados da Amazon. Clicando nos links os valores dos livros não mudam, porém nosso site pode receber uma comissão da Amazon. Importante: independente disso esse é o site que eu indico para compra por ser onde eu mesma geralmente encontro os livros a um preço mais barato.