AFTERSCHOOLING: educação além da escola [Parte 1]

O que é afterschooling?

Há alguns anos o movimento em favor do homeschooling – educação domiciliar – tem ganhado força no Brasil, especialmente por defender que a família pode e deve assumir o papel principal na educação de seus filhos. Muitas famílias, no entanto, sabem que assumir a educação formal da criança em casa exige muito preparo e disponibilidade de tempo, o que nem sempre é possível. Neste contexto é que a prática do afterschooling tem sido apresentada como uma modalidade educativa viável para muitas famílias.

Mas por que é preciso falar sobre isso?

Houve um tempo, no Brasil, em que as pessoas olhavam para livros com mais de 300 páginas e diziam: “Deus me livre de um livro tão grande! No máximo leio gibi da Turma da Mônica.” E todos achavam isso muito engraçado. Afinal, ser brasileiro era sinônimo de ser festeiro, animado, e sem muita preocupação com tudo isso de conhecimento.

E seguíamos assim, entre os piores do mundo na capacidade de entender um texto ou produzir algo mais importante do que desfile de escolas de samba ou futebol…

Embora muitas pessoas ainda sintam dificuldade em ler qualquer texto com mais de 1.000 caracteres, há alguns anos um grupo de pessoas têm despertado. Nos sentimos como quem acorda de um sono confuso e se pergunta: “Quantas lacunas eu percebo na minha formação! Quanto eu deixei de crescer e desenvolver minha mente, minhas habilidades, meu espírito e meu coração! Quanto tempo eu perdi esperando que outros resolvessem minha vida e meus problemas!”

E entre esses que despertam estão muitos pais e mães que, ao olhar para seus filhos, percebem que era hora de uma mudança. Entendendo que não resolveria ficar reclamando do governo ou esperando que algum dia a educação fosse melhor, levantaram-se e começaram a trabalhar para oferecer aos seus filhos uma formação diferente. Pais e mães que querem, um dia, ver em seus filhos homens e mulheres fortes, inteligentes, felizes e bem preparados para cumprir sua vocação, mesmo vivendo em meio a um mundo caótico e sem Deus.

Os problemas, no entanto, começam assim que você toma essa decisão. Especialmente hoje, quando somos bombardeados por todos os lados com tantas informações. Por onde começar? Quando? Qual a melhor forma de ensinar meus filhos? Como posso ajudar meus filhos se nem eu mesmo sei o que eles devem estudar em cada etapa? E se eu estiver exigindo demais? E se perder a fase em que eles conseguem aprender?

Em resposta a perguntas como essas é que temos trabalhado aqui, buscando orientar aos pais que estão determinados a assumir o papel principal na educação de seus filhos, mas sentem-se perdidos e sobrecarregados ao pensar sobre o que fazer em meio a tantas informações. Nosso propósito é ajudar cada família a descobrir o perfil da SUA família, as habilidades de intelecto e caráter que o SEU filho precisa desenvolver hoje e focar nisso, livrando-se da pressão de tentar fazer tudo o que outros fazem – ou dizem que você deveria fazer – e ganhando mais tempo para viver, de forma tranquila, o que realmente importa.

Nesse caminho, que começamos oficialmente em 2016, encontramos muitas famílias que não praticam o homeschooling, mas ainda fazem questão de assumir o papel principal da educação dos seus filhos, mesmo que eles frequentem a escola. A esse formato de educação nós chamamos hoje de Afterschooling – ou depois da escola. Foi assim que meus pais me educaram e sou imensamente grata a eles por isso. E para ajudar aos pais que também querem fazer isso nós decidimos fazer aqui uma pequena série de textos explicando melhor como você pode adotar esse formato de educação de modo organizado para conduzir seus filhos para lugares mais altos.

1. O QUE É AFTERSCHOOLING?

Quem decide o que seus filhos vão aprender?

Neste tópico vamos conhecer um pouco melhor sobre essa modalidade de ensino que tem sido adotada por pais que não abrem mão de estar à frente do processo educativo de seus filhos, mesmo que eles frequentem a escola.

O termo after-school, do inglês, significa literalmente “depois da escola”, e começou a ser usado de modo mais específico no final da década de 1880, quando algumas organizações americanas passaram a criar programas de reforço escolar e atividades extracurriculares para complementar o que a escola não tinha condições de ensinar em horário normal, ou trabalhar as dificuldades específicas das crianças em seu desempenho acadêmico.

Na verdade programas assim começaram bem antes que o nome “afterschooling” se tornasse comum – especialmente por iniciativa de indivíduos e igrejas em diferentes países, que tinham como intenção ajudar as crianças em situação de risco ou que começavam a deixar o trabalho infantil e ter acesso à educação escolar.

Com o passar do tempo, no entanto, esses programas foram se tornando mais organizados, assumindo a característica de complementar a educação escolar, ou seja, trabalhar o que a escola não tinha condições de trabalhar em seu horário normal.

Hoje, diversos grupos defendem que o afterschooling domiciliar trata-se deste complemento, por parte dos pais, ao que a escola não oferece. Aqui, no entanto, nossa proposta é de algo diferente: defendemos que a escola é que deve ser um complemento à educação que os pais escolheram para seus filhos. Quando os pais assumem o papel principal, eles é quem determinam a educação que seus filhos receberão.

Antes de passar para o próximo tópico, reflita sobre este aspecto e compartilhe conosco nos comentários abaixo: como você vê, hoje, a situação da sua família?

1 – ESTOU À FRENTE – Temos um projeto de educação e formação de nossos filhos, e contamos com auxílio da escola, tutores, cursos ou materiais para complementar com o ensino que exige conhecimento especializado.
2 – ESTOU COMPLEMENTANDO – Nós complementamos a educação escolar, ensinando alguns outros assuntos que queremos que eles aprendam e que a escola não trabalha.
3 – ESTOU AJUDANDO – No momento nós temos apenas ajudado nas lições de casa e atividades que a escola propõe.

Katarine Jordão
Educar com Sapiência

FONTES DE CONSULTA:

HALPERN, Robert. A Different Kind of Child Development Institution: The History of After-School Programs for Low-Income Children. Teachers College Record Volume 104, Number 2, March 2002, pp. 178–211.